quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Cuco um espetáculo imperdível

            
               Neste sábado dia 11, tivemos o prazer de levar os bebês (0 a 3 anos) da escola ao teatro. Fomos assistir: Cuco – a linguagem dos bebês no teatro.
            Um espetáculo todo construído para atender a este público, quase sem falas, mas com muitas linguagens, cores, sons, silêncios e movimentos marcam a peça.
            É um espetáculo voltado para a percepção, para a ação onde são retratadas experiências de “esconde, aparece”, nos remetendo aos conceitos de Piaget sobre as duas primeiras fases da epistemologia genética. Em alguns momentos os conceitos de objeto permanente e de meios e fins, estavam ali retratados pelas duas atrizes.          
             Ao final do espetáculo, quando as crianças deixam a posição de contempladoras e passam a agir sobre o cenário podemos perceber que o prazer, a curiosidade demonstrada durante a apresentação torna-se real.
            Em sua fala sobre o espetáculo, na qual participou como pesquisador e consultor pedagógico, Paulo Fochi diz: “O que de antemão fica evidente é a percepção de uma criança não abreviada, uma prática que observa, na própria criança, a sua especificidade, reforçando a crença de que, desde muito pequenas, as crianças são moldadas pela experiência, mas também, dão forma a ela.” (Revista Cuco. p.11, ano 5 Nº5/2017).
            “Entendemos lúdico no sentido de ilusão, de ‘fingir que... ’, e são nesses espaços de ilusão que aumentam as possibilidades das crianças problematizarem o mundo, e agirem sobre ele”, explica Ana Luiza Bergmann, atriz.
            A peça traz para as crianças o teatro, a música objetos e brincadeiras de uma forma linda. Percebemos na primeira parte da peça, onde somos apenas espectadores, que as crianças ficaram encantadas, concentradas em alguns momentos, reagindo com falas e sorrisos em outras. Quando na segunda parte elas tomam conta do palco, pudemos vê-los imitando os gestos feitos pelas atrizes.
            Quem tiver oportunidade de ver esta peça, super-recomendo.

Fotos retiradas da Internet


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Piaget e os pequenos

         
              Quando na Educação Infantil, principalmente dos zero aos três anos, se tomam por base as teorias Piagetianas, podemos perceber quão rico e significativo pode se tornar nosso trabalho.
            Ao entender a construção do conhecimento dos bebês nos sentimos aptos a planejar ações e experiências que lhes proporcionem cada vez mais o desenvolvimento da sua inteligência prática.
            A cada leitura e procura por entender mais e melhor sobre a fase sensório motor, mais me sinto capacitada para minha prática pedagógica com os pequenos.
            Ter clara a importância da construção da noção de objeto nos permite propor experiências que levem as crianças a desenvolverem o sentido de objeto permanente, o que em um primeiro momento auxilia na sua adaptação da escola, pois aprendem que a mãe/familiar vai embora, mas volta.
            A construção das noções de espaço e tempo é crucial para o desenvolvimento futuro, bem como a diferenciação entre meio e fins que permite a nova organização da inteligência.
            Vejo neste ponto a importância cada vez maior sobre a epistemologia genética, pois só a partir destes pressupostos podemos entender e mediar a construção do conhecimento de nossos bebês e das crianças ainda sem o domínio da fala, pois podemos com elas perceber e saber observar suas ações e com isso perceber suas necessidades e desejos, podendo desta forma cada vez mais auxiliar e contribuir com o seu crescimento.
            Construir a noção de objeto nesta fase permite às crianças em uma nova fase (pré-operatória) pensar um objeto através do outro. Reconhecer-se, por exemplo, na brincadeira do espelho é um avanço de uma fase para outra e ela se torna mais significativa quando conseguimos fazer com que os bebês consigam pensar o mundo através das imagens.

            Todas estas etapas vão convergir para uma aprendizagem que passa da inteligência prática para a inteligência representativa.

Observar é preciso! (sempre)

          Até pouco tempo quando se falava em altas habilidades pensávamos direto naqueles “super gênios” que deixaram marcas no mundo como: Einstein, Mozart, mas estudos e pesquisas nos mostram que estes são “super”, mas em nossas salas é possível, se conseguirmos observar; que existem sim, crianças com altas habilidades e que precisam dia a dia receber de nós educadores, atenção, mas principalmente o incentivo para o desenvolvimento destas habilidades.
         Penso que na Educação Infantil, muitas vezes ainda é precoce a identificação de altas habilidades, mas não que nesta etapa não se consiga observar crianças que apresentam algumas das características apontadas como pertencentes às altas habilidades.
         Muitas das características apontadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais são identificadas nas crianças da Educação Infantil; resta-nos fazer um acompanhamento destas crianças e assim proporcionar a estas crianças experiências e propostas de trabalho que auxiliem no seu desenvolvimento.
         Muitas vezes na Educação Infantil, a dificuldade na avaliação de crianças com altas habilidades, induz ao erro de tratá-las como crianças hiperativas ou sem limite.  
         Penso que cabe ao professor da Educação Infantil, ao observar crianças que despontam do grupo, ao menos registrar as observações das atitudes diferenciadas que possam mais tarde ser ou não caracterizadas como altas habilidades.


Compartilhando

     Uma das belas maneiras de aprender cada vez mais é dividir com nossos pares nossas aprendizagens e saberes.
            Nesta semana tive o prazer de compartilhar com uma turma de educadores, de uma escola da rede, meu caminhar e minhas aprendizagens sobre os espaços circunscritos e o fazer pedagógico.
            Demonstrar aos colegas experiências que deram certo e também as que deram errado e  poder ver no decorrer da minha própria fala que neste caminhar, de quase quatro anos, aprendi coisas que não havia me dado conta de ter aprendido é muito gratificante.
            Perceber que muitos dos ensinamentos adquiridos na faculdade me serviram de suporte para que me apropriasse de noções e conceitos é agora uma realidade que só me dei conta, quando a ex-diretora e ex-colegas que assistiam minha fala testemunharam meu crescimento.
            Muitas vezes estamos tão no automático que não nos damos conta da apreensão de saberes, e eles só afloram quando dividimos, quando compartilhamos com nossos pares, quando alguém nos olha e nos fala: “Gostei de ver, agora não só pratica tuas aprendizagens com as crianças como conseguistes  repassá-las aos colegas.”
             Que venham mais experiências deste tipo e que cada vez mais eu possa perceber conhecimentos apreendidos e principalmente possa repassá-los.
           No livro : À sombra desta mangueira,  Paulo Freire coloca a importância da dialogicidade como da condição humana e um clamor do educador democrático.
            Coloca a comunicação, resultado do diálogo, como essencial a vida e como “instrumento tecnológico que encurtam o espaço e o tempo”. Também ressalta a importância, como seres históricos e sociais, de nos fazermos conscientes da nossa inconclusão o que nos direciona a uma busca da razão dos fatos, a um questionamento incessante a que Freire denomina de curiosidade. Curiosidade esta que desperta a atividade gnosiológica, ou seja, nos leva a refletir, a conhecer.
            A manutenção da prática educativa progressista depende do exercício desta curiosidade epistemológica, que nos aproxima metodicamente do objeto de nossa curiosidade.  A relação de dialogicidade entre professor e aluno sustenta a educação democrática, mantendo a curiosidade a investigação.  Na dialogicidade encontramos o respeito entre os sujeitos que dialogam, é uma troca constante onde quem dialoga busca criticamente a significação dos fatos, os porquês. São  questionadores, que reconhecem o porquê de suas perguntas e sabem que obterão respostas sérias. O professor democrático como diz Freire: não está, ele é dialógico.
             Ao contrário da educação “bancária” onde a curiosidade, assim como a criatividade e a identidade cultural dos alunos são desprezadas. Neste cenário o professor autoritário leva à memorização mecânica dos conteúdos, resultando em alunos sem alegria de aprender sobre, de descobrir o mundo, mas principalmente sem que este aluno critique esse mundo aceitando o: “É assim e sempre foi assim"!
 
Referencia:
FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. São Paulo:Olho Dágua, 2000 (p.74-82)


domingo, 22 de outubro de 2017

Refletindo sobre igualdade!

         

          No curso de extensão: Diálogos sobre a educação para as relações étnico-raciais e a educação básica, em um dos módulos fomos convidados a refletir sobre esta imagem:



             Divido com vocês a reflexão feita por mim:


             Partindo do princípio que o objetivo dos meninos era ver o jogo e que todos tinham este mesmo direito podemos mesmo falar em duas concepções de igualdade? Que igualdade é esta onde não são respeitadas as diferenças dos sujeitos?
            Para que haja igualdade entre diferentes, há que ter equidade, propiciando situações onde os desiguais tenham o mesmo alcance. Para isto há que se utilizar recursos e ferramentas visando o benefício de todos.
            A justiça social se faz quando todos, equanimemente, usufruem de direitos universais. Pois, se há diferenças não há porque haver desigualdades. A busca do equilíbrio nas relações e oportunidades traz um referencial comum, onde todos se incluem.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Reflexão sobre "crocodilos e avestruzes"

A interdisciplina de Educação para Pessoas com Necessidades Especiais tem  me trazido vários momentos de reflexão, não só no que se refere a minha prática dentro de sala de aula, mas também uma reflexão além dos muros da escola.
As questões colocadas no texto  de Ligia A. Amaral são questões pertinentes a nossa vida como um todo. E nos fazem refletir sobre nossa conduta enquanto sujeito diante dos nossos “crocodilos” e nas nossas posições de “avestruz”. Por que, como a autora deixa claro no texto, crocodilos e avestruzes estão por todos os lados, mas acredito que é preciso que nós pratiquemos a autocrítica e a reflexão; e sejamos a primeira “água mole” para só assim poder difundir e compartilhar esta necessidade de derrubar, como diz a autora:  “o conglomerado constituído pelos saberes e fazeres cristalizados, que emanam de uma bem estruturada ideologia”, a pedra dura. (AMARAL,1998).
Replico aqui algumas partes do texto escrito por mim para a atividade do módulo 4 desta interdisciplina acreditando que estas demonstrem a minha compreensão sobre os conceitos estudados.
Com relação aos mitos:
[...] da correlação linear, e penso que este pode sim ser um dos mitos possíveis de serem propagados dentro da escola, podendo haver uma tendência a realizar uma experiência para um sujeito com uma deficiência e querer repeti-la com outro sujeito com a mesma deficiência, sem nos darmos conta que este segundo sujeito , apesar da mesma deficiência é outro sujeito. Estaríamos neste exemplo relacionando também o mito da generalização indevida, pois estaríamos estabelecendo a relação: deficiência igual, igual experiência, sem nos darmos conta do preconceito aqui edificado, apesar da “boa intenção”. (LEMOS, 2017)
         Quantas vezes já não nos pegamos tratando ou vendo como “heróis” alguma pessoa com deficiências que tenha conseguido diminuir suas desvantagens perante o meio. Exemplo de falas ou pensamentos como este, que acabam reforçando estereótipos, podemos observar, por exemplo, em competições para atletas deficientes.
Pode parecer cruel, mas: “Quem de nós pode afirmar que jamais teve um pensamento compensatório ao ter diante de si uma pessoa deficiente?” (LEMOS, 2017), representando assim um mecanismo de defesa da negação, quando esta diferença significativa, como nos diz a autora, causar mal-estar, tensão ou ansiedade?
Diante deste momento em que paramos para a leitura e compreensão de um texto, no meu pensar, tão denso como de AMARAL (1998) é hora de, como o texto nos sugere: refletir, retomar e principalmente fazermos movimentos para a “tomada de consciência, para o exercício da crítica”.

ReferênciasAMARAL, Lígia A. In: Diferenças e preconceito na escola: alternativas teóricas e práticas/Coordenação de Julio Groppa Aquino. São Paulo: Summus, 1998.LEMOS, Jaqueline. Atividade Módulo 4, EPNEE, Moodle UFRGS.