quinta-feira, 13 de julho de 2017

uma escola viva

Uma escola viva
A partir do momento em que todos os envolvidos com a escola (professores, alunos, funcionários, pais e comunidade) são tratados de forma igualitária e passam a ter vez e voz; mesmo que exista a figura de um gestor que coordene a instituição, estas diferentes pessoas são respeitadas  e reconhecidas, e isso faz com que o processo democrático se consolide.
Todos os processos passam assim  a serem decididos de forma democrática, fazendo com que todos se tornem responsáveis pelas decisões tomadas dentro de um movimento participativo e coletivo.
Uma gestão baseada na democracia contribui para a construção de uma escola baseada na ação coletiva e na formação política dos sujeitos sociais pertencentes a este espaço.
 O papel do gestor neste processo é de facilitar a implantação dos procedimentos participativos, facilitando as resoluções dos problemas encontrados no grupo. Identificar as necessidades de capacitação, saber ouvir e delegar autoridade são outros atributos de um gestor democrático. A responsabilidade assumida por todos os participantes deixa o gestor tranquilo quanto as suas próprias responsabilidades que são de coordenar e dirigir este processo.
Vários exemplos aqui são pertinentes, mas me vêm à cabeça no momento as decisões de início de ano onde o calendário é aprovado, pois nele temos decisões que permeiam o ano inteiro que vêm a estabelecer momentos de aprendizagem.
Na reestruturação de nosso PPP e RE, em 2016 organizamos a participação de todos a partir das formações ( professores, colaboradores) e depois levamos a discussão para a comunidade em uma reunião de pais e em seguida  reunião com o conselho escolar.
 Em todas as medidas, pois uma gestão democrática garante ao nosso aluno seus direitos e deveres, e isso é de grande importância no seu  desenvolvimento e sua aprendizagem.
 Penso que estes "conflitos" são mediados a partir de muitas discussões e da colocação de argumentos que embasem as diferentes interpretações ou concepções, mas quando um grupo está bem fechado nos seus fazeres, estes conflitos aparecem em menor escala. Em minha escola eles apareceram de forma pontual e foram resolvidos na base da discussão e da colocação do que realmente importa: o que realmente queremos para nossas crianças e seu papel tanto na sociedade/história ( de forma macro) como dentro da escola (micro).



LDBEN

A LDBEN é hoje, mesmo passados 20 anos da sua promulgação e mediante mudanças acontecidas neste período, o resultado de uma inicial disputa entre uma grande participação da sociedade civil e o executivo. Os princípios gerais da educação, entre eles o uso de recursos financeiros, as finalidades da educação, bem como o que tange à formação e as diretrizes que norteiam a carreira dos profissionais da educação.
Concordo com Cury quando este afirma  que: "Mexer na LDBEN é abrir o campo para novos retrocessos". Isso por que apesar da  LDBEN ter nascido para uma educação voltada para a maioria, a atual  conjuntura política, com o total descaso ao ensino  público, com o sucateamento de nossas instituições e com as tentativas de engessar a prática pensante dos alunos; permitir que esta lei seja levianamente mexida por estes  governantes a partir de MPs e PLs é simplesmente virar as costas para a educação e retroceder nos ganhos alcançados;  e ter a certeza  que as mudanças e lutas que buscamos para a melhora da educação no país jamais sejam alcançadas ou que sejam bloqueadas.
Lembro que em 2014, durante meses, discutimos o PME de Porto Alegre, reunindo educadores e gestores na perspectiva de consolidar as conquistas do PME anterior e buscar as metas até o momento não alcançadas.
Debate feito, pesados todos os pontos por aqueles  que viviam e vivenciavam a educação do município, ouvidas reivindicações de todos os grupos ligados à educação engajados nas mudanças; fomos surpreendidos por cortes efetuados pelo executivo e legislativo,  a bel prazer daqueles  que tem interesses que não os da formação de cidadãos críticos, cientes de seus direitos e deveres.
Na minha realidade, a Educação Infantil, ainda hoje lutamos para que pontos da LDBEN sejam cumpridos. Como então vamos aceitar a sua mudança ou extinção?



Um projeto em ação

No  projeto do M1B/2017,  muita música e muitas aprendizagens.
Como é gratificante observar o crescimento das crianças a partir de um projeto montado por e para eles.
Nosso projeto: "O M1B canta e se encanta com novas descobertas" trouxe muitas aprendizagens às crianças. Neste período observamos um crescimento na comunicação e fala das crianças. Ter o feedback dos pais sobre os comentários das crianças em casa, sobre o que acontece na escola; ver pais felizes com o "start" das crianças é com certeza a recompensa por nosso trabalho.
Neste momento refletir e repensar a prática se faz fundamental. É neste momento que as palavras de Paulo Freire se fazem vivas: "A prática de pensar a prática é a melhor maneira de aprender a pensar certo.  O pensamento que ilumina a prática é por ela iluminado tal como a prática que ilumina o pensamento é por ele iluminada".


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Reflexão?

Quando fiz meu estágio obrigatório do Magistério, em determinado momento, minha professora titular me ofereceu "folhinhas" que ela tinha sobre geografia; para não ofendê-la, aceitei as tão preciosas matrizes, e analisando-as percebi que datavam de 12 anos atrás.
Pensei comigo: "Como posso usar as mesmas folhinhas?" Ok, nada mudou a respeito da erosão ( matéria em questão), mas mudaram as crianças. Os alunos do quarto ano de 12 anos atrás não tinham internet, tablet, smartphones, com certeza não eram as mesmas crianças de hoje.
A teoria ainda pode ser a mesma, mas a forma de apresentá-la não deve ou não  deveria ser a mesma, é preciso que se respeite os conhecimentos das crianças da atualidade, é preciso que se "repasse" estes conhecimentos de uma forma em que as crianças de hoje sintam necessidade e curiosidade sobre o mesmo assunto que seus pais estudaram naquelas folhinhas".
Resumo da ópera! Descartei  as"folhinhas" tão apreciadas pela professora titular e fiz aquilo que eu achei que seria do interesse das crianças, das minhas crianças atuais.
Montamos  duas maquetes: uma com um solo protegido por vegetação  outro sem. Levei para a escola uma mangueira e usei o barranco, desprotegido de vegetação por onde todos os dias eles  ( as crianças) desciam enlouquecendo os professores da escola.
Fomos a campo, experimentamos o que acontecia com cada maquete e com o barranco. Resultado? Passados cinco anos, encontro quase todos os dias dois alunos desta turma que sempre me dizem: Oi profe! E reiteram a cada dia que podem ter esquecido tudo  menos como a erosão do solo acontece.
Se fico feliz? Sim, muito! E agradeço a cada dia não ter acolhido as "folhinhas" da professora titular e ter acreditado no meu instinto (?) e ter feito a diferença e sendo diferente.
Mas me preocupo quando hoje, na condição de aluna, muitas vezes vejo repetidos os mesmos questionamentos que já foram feitos a quem me antecedeu!

Reflexão? Até que ponto?

terça-feira, 20 de junho de 2017

Mapas Conceituais

            Quando da interdisciplina de Seminário IV fomos montar nosso Projeto de Aprendizagem e montar o mapa conceitual, dúvidas, certezas e incertezas sugiram "a rodo".
            Mas neste semestre na interdisciplina de Projeto Pedagógico em Ação, ao montar o mapa conceitual com as crianças quantas surpresas... estes pequenos só têm certezas, em suas imaginações e seus mundos de fantasias e faz de conta não existem dúvidas. E a coisa mais legal disso tudo é lançar "dúvidas" às quais eles respondem com a mais absoluta certeza.
            Em meu Maternal I ( 2 a3 anos),  para a montagem do mapa discutíamos e pesquisávamos sobre: "Quem mora na água?" pergunta para a qual eles tinham certeza das respostas: "A baleia, a sereia, os peixes, as ondas e a mãe da sereia moram na água". Quando lancei dúvidas de se o cachorro, o gato ou o pássaro moravam na água as respostas foram diretas e com a mais absoluta certeza: "O cachorro morava na casinha dele, o gato morava no chão, a o passarinho nas árvores"; e ponto!
            Ao montarmos o mapa, utilizamos figuras que eles pesquisaram em livros e revistas, onde inclusive "as ondas" surgiram como moradoras da água, tudo se transformou em uma grande brincadeira, aliás não deveria ser diferente, pois na Educação Infantil a brincadeira é meio e suporte para o aprendizado. Pena que ao crescermos perdemos isso: a leveza e o desprendimento de aprender brincando, pois após montar nosso mapa conceitual percebi que para meus pequenos demonstrar e registrar seus aprendizados foi bem mais leve do que para mim quando montei meu primeiro mapa conceitual.  E isso me lembra duma fala das colegas quando da apresentação da meta: "O uso das diversas linguagens permitem significar o conhecimento, sendo as crianças sujeitos do processo da sua aprendizagem ( Gabriel Junqueira Filho). Pensado assim não será a gente que cresce e complica nosso aprender?
Com isso concluo que sim, é possível montar um mapa conceitual com crianças de qualquer idade, pois seus conhecimentos são verdadeiros a qualquer tempo.





As Gestões Democráticas

Resultado de imagem para gestão democratica na educaçãoLendo os textos sobre Gestão Democrática apresentados na interdisciplina de Organização do Ensino Fundamental e as reflexões dos colegas, me pus a agradecer o fato de sempre ter trabalhado em uma escola onde isso é realidade. Claro, pesa  o fato de estar no magistério há apenas 3 anos e na mesma escola, mas comecei a me imaginar trabalhando em um ambiente diferente disso e não gostei nem um pouco  do resultado.
Dever ser difícil para alguém que acredita na democracia,  um  professor que defende ter participação na formação de um indivíduo crítico e autônomo, trabalhar em uma escola onde tudo "funciona" na vertical, de cima para baixo, porque por mais que dentro de nossas salas e com pequenos gestos e movimentos consigamos fazer  valer nosso pensamento crítico, são bem poucas e lentas as mudanças que se fazem necessárias para mudar este  cenário.
Como na conversa com meu colega, ex-presidente do Conselho Escolar, é duro ver que a atual gestão da educação em Porto Alegre vire as costas para todo um trabalho construído no passado; as Gestões Democráticas nas escolas da Rede,  outrora exemplo mundial, sejam hoje consideradas como desnecessárias ou insuficientes  para tudo  que ocorre dentro da escola.

Penso que a Gestão Democrática  tenha sido uma conquista de todos nós: educadores, alunos, comunidade escolar e a própria sociedade como um todo, e por ela devemos lutar, pois se aprende pelo exemplo, que melhor ensinamento daremos  a nossas crianças do que  saber escutar ao outro, dividir responsabilidades com seus pares e sermos autores e atores de nossa própria história? 

domingo, 4 de junho de 2017

uma escola democratica

Uma escola democrática
                Penso que quando temos uma escola onde a gestão é verdadeiramente democrática, nosso fazer pedagógico se torna mais leve, isso por que temos a comunidade escolar dentro da escola bem como a realidade social da escola é respeitada. Esta reciprocidade entre escola e meio social é um ganho para a educação, para a formação de um individuo cidadão. “(...) a escola necessária é uma escola democrática e que prepara os indivíduos para a democracia” (RODRIGUES, 2003, p. 60). 

                O PPP junto com o Conselho Escolar são os pilares da democratização da escola, e neste sentido a gestão democrática tem seu papel  pedagógico reafirmado, onde todos buscam a melhoria da educação. Uma escola aberta acaba por desempenhar suas funções de forma democrática, isso sempre com o auxilio das famílias e daqueles que tem o interesse maior na educação.

QUE VENHAM AS AVALIAÇÕES

QUE VENHAM AS AVALIAÇÕES
O período da construção das avaliações das crianças é para mim um momento intenso de pensar e refletir, pois quando sento para realizá-los é preciso rever  todo o semestre e se por algum motivo neste caminhar deixei de avaliar algum fazer, está é a hora em que ele aparece.
Na formação continuada desde mês,  nada melhor que uma palestra e discussão exatamente sobre:  "Um olhar sensível sobre o tempo de brincar e de aprender", nossa palestrante  nos falou sobre o tempo, a temporalidade, a ritmicidade, sobre a interação social, a mutualidade e a reciprocidade nos chamando a atenção para cada um destes conceitos e suas implicações na vida das crianças, tanto dentro como fora da escola.
Mas o que realmente deixou marcado, após sua fala e da discussão que tivemos, não foi a reafirmação de que o brincar é importante, de que o brincar é fundamental  para a interação e socialização das crianças, mas sim a importância do olhar sensível do educador para aquilo que não é visível; o olhar para além.
Quando me sento para escrever minhas avaliações, na verdade sento para unir e "costurar" várias pequenas observações  que tenho feito durante todo o período, e aí que vem  um intenso refletir, pois remonto àquilo que já passou com o que vivencio agora, e este juntar me mostra não somente a evolução das crianças, mas principalmente seu processo de aprendizagem e principalmente o meu refletir a cada passo do meu fazer pedagógico.
E penso que  é na descrição deste processo, do fazer da criança, que vamos descobrir em que momento deixamos de olhar verdadeiramente,  para esta ou para aquela outra criança, por que sim, muitas vezes fizemos isso, mesmo que inconscientes.
Sabemos  que fulano já  reconhece e nomeia as cores, ou que beltrano domina a tabuada e a conjugação verbal,  mas e sobre as  suas apropriações emocionais, eu prestei  atenção? Eu observei durante algum tempo como está a relação ao conhecimento de si? Eu sei como ele interage com seus pares? Alguma vez eu me dei conta de que era preciso mediar esta ou aquela  interação pessoal  dentro de sala?

Muitas vezes discuto com meu marido, professor da educação fundamental, onde sei que as avaliações são mais diretas, não há relatórios de acompanhamento individual, como na educação Infantil, mas por vezes questiono: será que  estas questões se observadas em cada uma de nossas crianças não dariam uma melhor visão deste aluno? Será que um NS (não satisfatório) não seria mais bem avaliado/explicado se o educador olhasse para estas crianças de forma inteira? 

domingo, 14 de maio de 2017

Quando a nomenclatura assusta!

Quando a nomenclatura assusta!
            Quando no terceiro semestre da interdisciplina  de seminário III estudamos sobre projetos, ficaram claras as diferenças ali apresentadas entre PE e PA. Na época ficou claro para mim diante da literatura apresentada que sim, mesmo que em todas as suas características e processos eu não realizasse um projeto de aprendizagem, com certeza meu trabalho não era um projeto de ensino conforme se apresentava.
            Acredito que minha prática em sala de aula, uma turma de Maternal 1, se encaixe dentro daquilo que ZABALA define como método globalizado. Na escola onde trabalho somos incentivadas a construir projetos que envolvam as crianças, ou seja, projetos que nasçam dentro da sala a partir das observações e conversas com as crianças e com as suas participações. Projeto onde, a partir do tema principal, problematizamos e buscamos  descobertas e respostas.
            Dentro do trabalho com o projeto proporcionamos às crianças experiências que as levem a descobrir suas próprias respostas. São incentivadas a fazerem descobertas a partir da manipulação, da experimentação e da observação usando em um primeiro momento, os conhecimentos que já possuem dos objetos e materiais que lhes são ofertados.
            Mas, quando mostrei meu projeto para professora Liliana (PAA),  juro  que levei um susto quando ela olhou e o classificou como um projeto de ensino; logo me  veio à cabeça aquele formato engessado e sem vida que me  pareceu ser um projeto de ensino descrito em SI III, e nas leituras de BECKER em modelos pedagógicos e modelos epistemológicos.  
            Passado o choque e após uma (re) leitura da teoria  apresentada neste semestre compreendi, ao menos espero, que a classificação do meu projeto  como "de ensino" não vinha do formato rançoso apresentado por  BECKER, mas sim, da visão  de ZABALA (La práctica educativa. Cómo enseñar)  de um método globalizador nomeado de Projeto de Kilpatrick onde  apesar de ser globalizador, onde por definição a presença e o interesse  das  crianças  estão acima de tudo, fui eu, como educadora, que decidi o tema e defini propostas de experiências visando atingir objetivos; por estes fatores, sim, meu projeto seria um projeto de ensino.



domingo, 23 de abril de 2017

Sobre ser um professor reflexivo

Sobre ser um professor reflexivo

            Penso que avaliar nossa prática é um primeiro lugar nos mostrarmos abertos a aprimorar ou a descobrir falhas neste fazer pedagógico. É nos mantermos em movimento, desacomodados, pois quem se acomoda pode vir a repetir possíveis erros.
            Todo professor que se deixa avaliar/refletir sua prática está em constante mudança.
            Mas, muitas vezes, isso não é fácil, pois é uma busca constante de diálogo consigo e com nosso aluno, devemos sempre ter em mente: Quem é este aluno à nossa frente?  O que ele conhece? O que necessita e deseja? Qual a melhor linguagem para este diálogo?
            Outros questionamentos são: O que estou fazendo para manter este diálogo? Estou percebendo e escutando este aluno? Minha ação pedagógica está promovendo significação na aprendizagem do meu aluno?
            Todos estes questionamentos acabam por nos aproximar de nosso aluno e se queremos que nosso aluno se torne um cidadão questionador é preciso que nós, professores, sejamos sempre questionadores principalmente da nossa própria prática, para que assim possamos  progredir em nossas ações.
            Nas leituras observamos que há falas que envolvem as reflexões na ação e sobre a ação como forma de desenvolvimento profissional. Penso que a reflexão se dá antes da ação,
quando nos questionamos como vamos desenvolver este ou aquele objetivo/experiência; e após desenvolvê-las fazemos uma análise do que e como foi feita, permitindo uma reflexão pós-ação e uma possível  reestruturação da ação aplicada.
            Tomo com exemplo, o ocorrido em minha turma do ano passado (JB2).
            Estabelecida nossa jornada, decidiu-se que a roda de conversa e chamada seria a primeira ação do dia, para isso aguardávamos que todas as crianças chegassem, ou seja, nossa roda seria após as 8h45min, depois da segunda entrada. O que acontecia era que todas as crianças que chegavam até às 8h ficavam brincando, explorando a sala. As crianças que chegavam às 8h30min iniciavam brincando, mas logo paravam, pois era a hora da roda e chamada. Este fato acabava criando certo agito, pois quem chegava mais tarde reivindicava mais tempo para brincar, e quem já estava se preparando para a roda se desestruturava e assim se instalava o caos.
            Discutimos em equipe principalmente dois pontos: *as crianças devem e têm o direito a brincar; *a rotina é importante para a organização e autonomia das crianças. Depois que conversarmos, a decisão foi tomada: Nossa roda iniciaria às 8h25min, com quem já estivesse em sala. Ao chegar, o grupo das 8h30min iria direto para a roda. Com esta nova jornada, conseguimos manter a turma mais organizada; e com o passar do tempo as crianças que chegavam no segundo horário, passaram a chegar mais cedo.
            Quando percebemos esta mudança no horário, questionamos as crianças e descobrimos que elas haviam reivindicado junto às famílias chegar à escola mais cedo, para poder brincar mais.
                        Para fazer esta mudança nossa equipe precisou parar, avaliar o que estava acontecendo e repensar uma forma de fazer mudanças, sem que estas prejudicassem as crianças e sua jornada. E pelo resultado conseguimos, pois já no meio do ano, 95% das crianças chegavam até às 8h, o que auxiliou bastante no desenvolvimento da nossa jornada diária.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Projetos de aprendizagem

                                                   Projetos de aprendizagem


                        Após ler os textos, me identifiquei muito com os métodos globalizados de trabalho com as crianças, até porque como educadora da Educação Infantil não estamos sob o regime de currículos montados por disciplinas. E na EI, a criança é o centro de tudo, do cuidar e do educar. É, ou deveria ser sempre, baseado nos seus interesses que se concretizam os currículos, suas capacidades, interesses e motivações formam a mola propulsora das suas aprendizagens.
                         Mediamos suas aprendizagens de forma a lhes mostrar visões globalizadas do mundo, e quem nos dá o norte para a proposição de experiências é a própria criança que trás para a escola seus conhecimentos, sua história, seus saberes e é a partir deles e de seus interesses, que conforme nossa intenção de trabalho escolhemos a forma como apresentar nossos projetos.
                         Analisando os quatro métodos de trabalho expostos por Zabala, percebi que na EI, muitas vezes, buscamos de um ou de outro a organização e as sequências de aprendizagem, sempre com a mesma justificativa: proporcionar às crianças uma aprendizagem que lhes seja significativa.   



Nasceu meu projeto para o M1B/2017.

Nasceu meu projeto para o M1B/2017.

           Observando as crianças, seus desejos, necessidades e curiosidades, optei por usar a música como norteadora do meu trabalho inicial com os pequenos.
Minha proposta é propiciar a eles experiências e vivências que tenham a música como carro chefe. Vamos partir de algumas que eles apreciam, neste momento, e ir avançando para outras que despertem o seu interesse.
              A grande questão por mim levantada é: De que forma levar as crianças do Maternal 1 B  às descobertas e ao conhecimento através da música, estimulando sua criatividade e o convívio social  através dos  prazeres que ela  oferece?
           Partindo desta questão o  objetivo geral é trabalhar com a música unindo o gosto das crianças com suas necessidades da exploração e conhecimento do seu próprio corpo, dos seus limites, do cultivo ao respeito por si, pelo outro e pelo mundo. Além de estimular a criatividade, a oralidade, o movimento e a percepção, integrando-os  e dando-lhes a oportunidade de expressar sensações e sentimentos.
             O que justifica a minha escolha é a observação de que apesar de  muitas coisas como: jogos de encaixe, brincar de casinha e bonecas terem despertado  a curiosidade da turma, constatei que os momentos em que a música se fez presente, não só nos momentos de roda, como nos deslocamentos em brincadeiras; e bem como quando um cd é colocado somente para apreciação musical, foi ela quem mais contribuiu para a interação da turma.
            Nestes momentos as crianças não só acompanharam a melodia com coreografias, apresentadas pelas educadoras, como com movimentações corporais  e gestuais como: tocar violão, batucar e usar tubos de papel como microfones.
            Sabemos que a música ocupa um papel importante na Educação Infantil contribuindo para o desenvolvimento psicomotor, socioafetivo, cognitivo e linguístico, auxiliando na criatividade do senso rítmico, na concentração, na imaginação, sem falar no prazer de ouvir a música.
            Segundo o RCNEI: "As crianças interagem com a música, as brincadeiras e aos jogos: cantam enquanto brincam, acompanham com sons os movimentos de seus carrinhos, danças e dramatizam situações sonoras diversas, conferindo personalidade e significados simbólicos aos objetos sonoros e a sua produção musical".
            Então, vamos lá, partiu projeto: M1B cante e se encanta com  novas descobertas!

            Ao longo do período, irei divulgando o desenvolvimento deste projeto, nossas experiências e reflexões sobre o proposto e o realizado.

Algo não está certo!

Algo não está certo!

                    Ao meu lado, marido corrigindo provas da sua turma do 5º ano. De tanto escutar resmungos, paro meus estudos e vou ver qual é o motivo de sua contrariedade.
                    Pego as provas de Ciências que ele aplicou na semana, fico pasma. Crianças de 5 º ano ainda na fase pré-silábica.  O que está havendo? Pergunto-me: Como pode crianças de 10 a 11 anos que não sabem ler, não sabem escrever. Onde está o erro? Que sistema de ensino é este que promove tal condição? É um modo de dizer por que,  de 22 alunos desta turma do meu marido,   4 estão nesta situação; crianças estão chegando  ao quinto ano do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever? Isto não caracteriza descaso e descuido do sistema?  Como um professor deve agir em uma turma assim?  Como vai dar conta de seguir mediando a aprendizagem de 18 crianças e ao mesmo tempo conseguir fazer com que outras quatro acompanhem o trabalho desenvolvido?

                  São questões para as quais não tenho resposta. Mas que muito me incomodam.

Vivenciando os métodos globalizadores

Vivenciando os métodos globalizadores

               ”... experiências concretas na vida cotidiana que levam à aprendizagem da cultura, pelo convívio no espaço coletivo e a produção de narrativas individuais e coletivas por meio de diferentes linguagens" ( Parecer CNE-CEB n20-09).

          Uma das características  de se trabalhar com a educação infantil  é vivenciar todos os dias uma aprendizagem globalizada, aqui podemos dizer que a transdisciplinaridade está presente. Temos  as crianças como  protagonistas de suas aprendizagens.
          Como professores nosso papel  é verdadeiramente de orientador, de mediador e estimulador das motivações, das curiosidades e interesses dos pequenos.
          Não pairam sobre nós  currículos montados a partir de disciplinas, onde saberes são engessados no seu conteúdo e no seu modo de aprender. Trabalhamos a partir de uma estrutura de currículo onde as interações e as brincadeiras são balizadores para a promoção de experiências e aprendizados que contemplem as linguagens simbólicas, a cultura e a sociedade.
          Este fazer nos leva  todos os dias a refletir sobre nossas ações, pois tudo dentro da Educação Infantil é muito vivo e  dinâmico, precisamos estar atentas aos movimentos das crianças, seus interesses, seus conhecimentos trazidos de casa e os construídos no ambiente escolar, seus desejos e curiosidades.
          Ler os textos apresentados na interdisciplina de PPA foi bem importante, pois a partir deles pude visualizar meu trabalho dentro de sala, traçando um balizador para minha prática. Mas várias questões se apresentaram depois da leitura, pois na verdade não consegui me enquadrar 100% em nenhum dos quatro métodos citados no texto do Zabala.           Lendo e relendo percebi que muitas vezes meu trabalho junto às crianças engloba, mistura um pouco de cada. Pois monto projetos que estão dentro do  centro de interesse das crianças,  e à  medida que este projeto vai se desenvolvendo conto com o conhecimento prévio das crianças, sua bagagem cultural, para levantar questões e hipóteses relativas ao nosso projeto.
         Um exemplo: Este ano trabalhando com crianças de M1, observei um grande interesse, da maioria da turma, por música. Montei então um projeto onde a música será o fator condutor de todas as experiências propostas. A primeira música trabalhada foi: A baleia.  Nossa proposta inicial  foi construir os dois personagens citados na música: a baleia e a sereia. Mas em uma roda de conversa foi questionado a turma: Onde vive a baleia? Quem mais mora neste meio?  Que outros amigos a baleia pode ter? A partir das respostas montamos um painel onde serão construídas todas estas respostas.

          A construção se dará a partir da escolha das crianças, serão disponibilizados vários materiais: sucatas, papéis, tintas, lãs, e eles escolheram o que e como usar. Em breve posto as maravilhas que hão de surgir.

domingo, 9 de abril de 2017

Ano novo

Novo ano se inicia, e com ele novos e velhos  desafios.

Este ano na escola, estou com uma turma de nível maternal I, 2 a 3 anos. Confesso que levei um susto quando me indicaram esta turma, primeiro por que nunca havia trabalhado com crianças desta idade, depois por que, no final do ano passado, pedi remanejo para uma escola mais perto de casa; e a qualquer momento, após o início do ano letivo, elas poderão sair e me conhecendo sei que irei sofrer ao ter que deixá-las, após o período de adaptação. Aliás, falando em adaptação, minha turma será de 20 crianças, das quais 16 nunca haviam frequentado a escola, ou seja, adaptação completa, das crianças e da profê.

Mas vamos lá, fugir de desafios nunca foi meu forte. Férias dedicadas à finalização do Workshop, e a estudar muitoooo qualquer material que vinha à mão sobre o desenvolvimento e característica desta idade.

Abriram-se os trabalhos, acarinhar e acolher meu pequenos, sala organizada em espaços circunscritos que visam recebê-los com alguns objetos, que suponho venham a chamar sua atenção. Caderneta na mão para registrar as observações feitas, e as reações deles a cada novidade, a cada explorar e descobrir.

Um dos desafios deste ano será: Como organizar um projeto de aprendizagem? Eles mal se comunicam? Eles têm curiosidade em tudo? Tudo para eles é novidade? Como levantar seus conhecimentos anteriores?


E não é que novamente o PEAD veio ao meu socorro! Projeto pedagógico em ação me mostrando que sim, podemos desenvolver um trabalho a partir dos métodos globalizados também com os pequenos, através dos centros de interesses. Agora é seguir em frente e mãos a obra, buscando incentivar meus pequenos a grandes descobertas.